Tráfico e escravidão de africanos através dos registros de batismo (Rio Grande do Sul, 1780-1850)

  • Marcelo Matheus IFRS
  • Emilli IFRS - Canoas
Palavras-chave: Tráfico; Batismo; Rio Grande do Sul.

Resumo

Pretende-se com a pesquisa superar o estigma associado à falta de relevância da escravidão no Rio Grande do Sul para o seu desenvolvimento social e econômico, tal qual acredita-se que teve no restante do Brasil. Tal questão vem se consolidando como objeto de estudo entre os historiadores, sinalizando assim a importância da exploração da mão de obra escravizada para a ascensão econômica da região sul-rio-grandense no período colonial/imperial. Neste caso, acata-se a análise do tráfico transatlântico de cativos entre 1780-1850, devido ao grande número de escravizados levados à área portuária de Rio Grande neste período. Desta forma, considerando a ausência de uma documentação específica para a migração de escravizados, utiliza-se os registros de batismo daqueles que foram batizados nas capelas gaúchas. Realizando, assim, uma análise serial, na qual os dados são alocados em uma planilha elaborada no Microsoft Excel, tendo em vista o nome do batizado, origem – africano ou nascido no Brasil –, nação, classificação etária, sexo e, por fim, o nome do senhor. Como resultados parciais, dentre os mais de 40 mil registros de batismos fichados, cerca de 17% (mais de 7.500 batismos) era de africanos. Dentre esses, a maioria dos africanos escravizados que vieram para o RS eram da macro-cultura Banto (Angolas, Congos, Benguelas, etc.), embora a presença de Minas (oriundos do Golfo do Benin) fosse significativa. Em suma, acredita-se que o projeto esteja alinhado com a Lei nº 10.639, de janeiro de 2003, a qual trata de um estudo da história dos africanos, em virtude da desconstrução da concepção de que o estado foi fortalecido pelos imigrantes europeus, quando, no entanto, deu-se, em grande medida, pela exploração da mão de obra dos africanos e de seus descentes. Por fim, intenta-se que ele ajude a explicar os modos de resistência e (re)organização social e econômica destes que foram arrancados de suas terras obrigados a residir no sul do Brasil.

Biografia do Autor

Emilli, IFRS - Canoas

Estudante do curso Técnico em Desenvolvimento de Sistemas Integraod ao Ensino Médio

Publicado
2025-12-10