Proposta didática para o ensino de números irracionais no 9º ano do ensino fundamental: contribuições da geometria com régua e compasso para a significação dos números irracionais

  • Jaqueline Molon IFRS Campus Canoas
  • Mirian Porto Azambuja IFRS Campus Canoas
  • Carina Loureiro Andrade IFRS Campus Canoas
Palavras-chave: Proposta didática., Números irracionais., Construções com régua e compasso.

Resumo

Este trabalho vincula-se à dissertação da autora, desenvolvida no Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (Profmat), que investiga a aplicação de uma proposta didática sobre o ensino de números irracionais para o 9º ano do Ensino Fundamental, utilizando construções geométricas com régua e compasso, desenvolvidas com o intuito de  favorecer a significação dos números irracionais na educação básica. Sendo assim, o presente trabalho tem por objetivo apresentar a proposta didática e alguns resultados prévios da sua aplicação. A relevância do estudo reside no fato de que, frequentemente, os números irracionais são apresentados de maneira restrita, limitando-se à definição como não-fracionários ou dízimas não periódicas, apoiada em uma abordagem tradicional, muitas vezes centrada em cálculos com radicais e simplificação. Este processo acaba por não considerar as potencialidades da integração da geometria no processo de significação desses números. Assim, as atividades desenvolvidas propõem uma abordagem que integra geometria, aritmética e álgebra para que o aluno possa compreender a natureza desses números, sua importância histórica e a evolução da própria matemática. A proposta didática foi desenvolvida com base nas recomendações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC - 2017) e nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s - 1998), uma vez que eles já incentivavam a adoção de abordagens que valorizassem a elaboração de estratégias distantes do formalismo excessivo e da simples memorização de regras ao abordar os números irracionais. A proposta didática teve aporte teórico, ainda, em Lorenzato (2010), autor que defende o uso do concreto, imagens e experimentações para contribuir no processo de aprendizagem, bem como em Ponte (2005), no que se refere à utilização da investigação matemática em sala de aula como abordagem pedagógica. A metodologia empregada é a pesquisa qualitativa de caráter exploratório-descritivo, com delineamento de pesquisa do tipo intervenção pedagógica com a construção de uma proposta didática que é um roteiro de atividades e que está sendo aplicado em uma turma de nono ano.  A proposta incentiva os estudantes a refletirem sobre as suas próprias conclusões e a compartilhá-las com os colegas. Até o momento da aplicação, os resultados parciais mostraram uma grande participação e interação entre os alunos. Observaram-se a promoção de reflexões sobre a matemática, como a discussão sobre o significado de medir, a importância da unidade de medida para o ordenamento de objetos de acordo com seus tamanhos, o conceito de comensurabilidade, a compreensão acerca dos conjuntos numéricos e da representação de números (racionais e irracionais) na reta numérica, tendo em vista a necessidade de ampliar o repertório de números irracionais dos estudantes. A aplicação evidenciou, também, que abordar aspectos da história da matemática, bem como a utilização de recursos concretos, como régua (graduada e não graduada) e compasso, contribuem no interesse, motivação e participação dos estudantes nas aulas. Até o momento, pode-se concluir que as atividades propostas têm atingido seus objetivos, promovendo o protagonismo do aluno e contribuindo para a compreensão de significados associados aos números irracionais.

Biografia do Autor

Jaqueline Molon, IFRS Campus Canoas

Orientadora. Doutora em Informática na Educação (UFRGS), Mestra em Matemática (UFSM), Licenciada em Matemática (UCS). Professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) - Campus Canoas

Mirian Porto Azambuja, IFRS Campus Canoas

Mestranda do Programa de Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional - Profmat, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) - Campus Canoas. Licenciada em Matemática (ULBRA). Professora da Escola Municipal Manoel Gonçalves Meireles - Triunfo.

Carina Loureiro Andrade, IFRS Campus Canoas

Coorientadora. Doutora em Matemática Aplicada (UFRGS), Mestra em Matemática (UFSM), Licenciada em Matemática (FURG). Professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) - Campus Canoas. 

Publicado
2025-12-10