EcoViamão como território educativo: resíduos, arte e consciência ambiental
Resumo
O presente trabalho apresenta a experiência do Núcleo de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica de Viamão (NEA) “EcoViamão”, vinculado ao programa de extensão do IFRS – Campus Viamão, que desenvolve ações de educação ambiental e agroecológica em escolas estaduais, cozinhas solidárias e no próprio campus. A partir da recorrência do descarte inadequado de resíduos sólidos nas dependências da instituição, o núcleo passou a articular práticas educativas que unem arte e educação ambiental, como poemas, cartazes criativos e pequenas intervenções performáticas, com o objetivo de despertar o cuidado com o espaço coletivo e ressignificar a percepção sobre os resíduos, compreendidos como expressão de uma relação fragilizada entre sujeitos e ambiente. As ações têm caráter exploratório e foram planejadas de forma participativa, envolvendo bolsistas, servidores e estudantes em um processo coletivo de observação, diálogo e criação. A metodologia fundamenta-se na educação popular e em referenciais teóricos que compreendem a arte e a sensibilidade como práticas libertadoras. Entre eles, Paulo Freire (1987) inspira a escuta e o reconhecimento dos saberes populares; Augusto Boal (2013) traz o Teatro do Oprimido como prática de protagonismo e diálogo; Bell Hooks (2013) propõe a educação como ato de amor e transgressão; e Nego Bispo (2019) contribui com a crítica decolonial e a valorização dos modos de vida pautados no cuidado e na regeneração. A partir desses referenciais, o NEA EcoViamão vem desenvolvendo ações que dialogam com o cotidiano da comunidade acadêmica, promovendo reflexões e transformações simbólicas. Além das intervenções já realizadas, estão sendo organizadas oficinas de arte sustentável, em que estudantes e servidores poderão criar objetos artísticos a partir de materiais recicláveis coletados no campus, e uma gincana ecológica com desafios criativos, físicos e reflexivos, envolvendo separação correta de resíduos, plantio simbólico de mudas e reutilização de materiais. Essas atividades são concebidas como práticas pedagógicas participativas, que estimulam a ludicidade, a consciência ambiental e o sentimento de pertencimento ecológico. Os resultados preliminares indicam que as ações têm despertado curiosidade, diálogo e reflexão espontânea entre estudantes e servidores, demonstrando que a arte pode funcionar como catalisadora de consciência ambiental e como linguagem de resistência e transformação social. Espera-se que, com a continuidade das atividades, haja redução do descarte inadequado, ampliação da adesão à coleta seletiva e fortalecimento de uma cultura de sustentabilidade. A experiência do EcoViamão evidencia a potência da arte como ferramenta pedagógica e política, capaz de sensibilizar, mobilizar e inspirar práticas mais éticas e cuidadosas com o ambiente e com a comunidade acadêmica, reafirmando a importância de integrar arte, cultura e sustentabilidade nos processos educativos.