Voos literários: o papel da leitura e da escrita na vida de estudantes socialmente desfavorecidos
Resumo
O sistema educacional brasileiro enfrenta inúmeros desafios em sua implementação, majoritariamente ligados a aspectos socioeconômicos — como a falta de infraestrutura nas instituições, a baixa remuneração do corpo docente e a dificuldade de deslocamento dos alunos até a escola. Esses obstáculos tornam-se ainda mais evidentes em instituições públicas, que muitas vezes não recebem investimentos suficientes para atender às demandas da comunidade escolar. Tal realidade reforça desigualdades que afetam, sobretudo, estudantes em situação de vulnerabilidade, uma vez que impactam diretamente sua educação e, consequentemente, seus hábitos de leitura e escrita — elementos essenciais para a formação humana. Diante disso, este estudo propõe-se a investigar como as práticas de leitura e escrita contribuem para o desenvolvimento sociocultural desses estudantes, bem como analisar os impactos de ler e escrever enquanto ferramentas de expressão, inclusão e aprendizado. Como amostragem, o programa “Partiu IF”, realizado no IFRS – Campus Canoas ao longo de 2025 foi adotado. O trabalho foi desenvolvido a partir de uma pesquisa qualitativa, de natureza aplicada, adotando a análise bibliográfica e documental como procedimentos metodológicos, com caráter descritivo-exploratório. Para sustentar a metodologia, o percurso da pesquisa foi organizado em três eixos de análise: (1) a compreensão teórico-crítica dos atos de ler e escrever; (2) a investigação das práticas de leitura e escrita no “Partiu IF” e da percepção dos estudantes sobre elas; e (3) a análise de recursos que promovam essas práticas sob uma perspectiva crítico-social. Como exemplos, citam-se a leitura de artigos acadêmicos retirados de periódicos e de obras de educadores como Paulo Freire, bem como as produções textuais e atividades de leitura/interpretação desenvolvidas pelos estudantes durante as aulas de Língua Portuguesa no programa. Os resultados parciais revelam que a leitura e, principalmente, a escrita, têm se mostrado ferramentas terapêuticas, de expressão e de desenvolvimento sociocultural, responsáveis por promover a cidadania crítica por meio de produções que refletem vivências individuais e coletivas. Além disso, como fruto do trabalho, destacam-se o aceite para apresentação na 20ª edição do Salão Jovem UFRGS e a conquista do 2º lugar na XIII edição da IFCITEC (Feira de Ciências e Inovação Tecnológica) do Campus Canoas, que também possibilitou uma credencial para a FEBIC (Feira Brasileira de Iniciação Científica) em 2026 ao projeto. Todavia, o retorno excelente da equipe avaliadora na XIII IFCITEC, e de seu público, também se configura como um ótimo resultado, tendo agregado positivamente nas próximas etapas de desenvolvimento deste estudo. Em suma, conclui-se, portanto, que a leitura e a escrita ultrapassam sua função pedagógica, atuando como instrumentos de inclusão, autonomia e transformação social para estudantes em contextos de vulnerabilidade.