Apagamento e inscrições de ser e estar no mundo: um diálogo entre Machado de Assis e Conceição Evaristo
Resumo
Este trabalho tem como objetivo relacionar e propor aproximações entre os autores Machado de Assis e Conceição Evaristo por meio das obras "Esaú e Jacó" e "Olhos d’Água". A pesquisa visa explorar como esses dois autores, de contextos históricos e sociais distintos, abordam e representam questões étnico-raciais em suas narrativas. A análise busca compreender de que maneira cada autor se posiciona e é percebido pela sociedade, além de investigar as razões pelas quais a literatura de autores negros frequentemente enfrenta desvalorização no Brasil. A metodologia adotada é de cunho exploratório, permitindo uma investigação cartográfica das obras e temas emergentes delas. Já fora iniciada uma leitura atenta das duas obras, observando como Machado de Assis e Conceição Evaristo tratam de questões relacionadas à identidade, sociedade e relações raciais. Em seguida, a pesquisa efetuará uma análise comparativa das técnicas literárias e dos enfoques temáticos empregados por ambos os autores através de artigos científicos e demais aportes teóricos. Este estudo pretende revelar a conexão entre o apagamento histórico de autores negros e a contribuição de suas obras, refletindo sobre como formas de preconceitos emergentes ao longo da história e estruturantes de práticas sociais influenciam a recepção dessas literaturas nas dimensões espaço-temporais. É relevante afirmar que a literatura negra desempenha um papel essencial na representação e na valorização da diversidade cultural brasileira. Autores como Conceição Evaristo e Machado de Assis exemplificam como a literatura negra enriquece a narrativa nacional e desafia a exclusão epistemológica e histórica que permeiam a sociedade e as instituições brasileiras. A análise preliminar sinaliza que a desvalorização das obras de autores negros é um reflexo de exclusão persistente e estrutural, mas também destaca a importância de reconhecer e celebrar a diversidade literária negra para corrigir erros do passado e enriquecer a narrativa brasileira como diversa, plural e democrática acolhendo modos de ser, estar e narrar.